O acampamento da casa

O acampamento da casa

Cada vez que o sonho se manifesta nos acampamentos feitos dentro de casa, traz para a vida das pessoas um alicerce silencioso de carinho e segurança, pode parecer brincadeira de criança, mas os arquétipos envolvidos despertam muito mais que sonhos, trazem para o consciente memórias ancestrais gravadas, inclusive, no DNA dos povos.

Aquela sensação de segurança passada pelo abraço da mãe nas noites frias e mesmo no primeiro “ninho” que foi o útero materno são despertas e fortalecem as relações sociais existentes, podendo trazer à tona, não apenas as memórias de pertencimento ao grupo, como as de resiliência para enfrentar situações adversas.

Brincar de criar um ambiente dentro de casa em que adultos e crianças interagem na construção do abrigo necessário, faz com que os pequenos entendam um papel importante que faz parte da construção das civilizações: o de que todos, juntos, constroem de forma cooperativa e podem colaborar com o seu melhor.

Independente do resultado final externo, no plano interno está gravada a sensação de criação e ajuste que pode vir a ser o melhor norte que a pessoa venha a ter na vida pessoal, familiar, profissional e social, bem como vai auxiliá-la na resolução de problemas de forma criativa.

O tempo que o adulto dedica à criança na configuração deste padrão é importantíssimo e não deveria ser desconsiderado, principalmente quando nos referimos à construção de uma sociedade mais equilibrada e saudável.

Brincar de construir um acampamento é salutar também para o adulto que, além de despertar memórias infantis ou criá-las com base em um padrão social preexistente, colabora para ajustar os níveis de stress gerados pelos aspectos profissionais do diário, o que também fortalece o sistema imunológico.

Portanto, para mais de ser apenas uma brincadeira infantil, criar esses laços de afeto e segurança pode gerar a transformação do padrão social necessário de competição para o de cooperação, mote atual de recentes pesquisas que revelam que se não existisse esse padrão cooperativo nas sociedades primitivas, hoje não existiríamos como raça humana tecnológica.

Pensemos nisso!

Leatrice Coli Ribeiro Pedroso
Academia Santanense de Letras – cad. Nº 24
(opinião particular, não necessariamente reflete o pensamento dos Confrades)

Permitida a reprodução desde que mantidos os créditos.

Lea Luz  Artes

 

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